sexta-feira, 6 de maio de 2011

Santidade


Santidade é ter as atitudes de Jesus

O que é a santidade? Santidade é ter a face de Cristo, as atitudes d’Ele, temperamento, desejo, entre outros. Santidade é presença de Jesus em nossa vida.
A santidade parte de Deus e só podemos ser santos n'Ele. A sua história pessoal e tudo aquilo que Deus tem e quer fazer na sua vida é um momento único que vai exigir de você obediência.
O que você deseja é que o seu coração seja cheio do Espírito Santo; você deseja dar a Deus a santidade da sua vida, com o seu “sim”, com uma resposta concreta de amor. No entanto, essa atitude custa vida, experiência do dia-a-dia, sacrifício e, principalmente, não se esconder atrás de uma devoção, pois muitos se escondem atrás de uma devoção que não leva ninguém a lugar nenhum, por exemplo, quando vocês vão visitar santuários como simples turistas.
Só Jesus Cristo é santo. É a santidade d'Ele que atravessa o tempo e a história e entra na vida de cada um. É ela que faz de nós homens e mulheres santos. Sem o Senhor, ninguém é santo, ninguém é forte, ninguém é nada. Por essa razão, você tem de crer que o Senhor é capaz de fazer de você um homem e uma mulher santos. Saia da ignorância, acredite que Deus pode mudar a sua vida e levá-lo a uma vida de santidade.
No mundo atual – onde tudo é rodeado pelo capital e pelo dinheiro – precisamos dar um testemunho diferente e mostrar a ele que a nossa devoção nos leva à santidade e não somente a um aproveitamento financeiro da devoção.
A Igreja precisa de santos e santas hoje, agora. Para sermos santos e santas, neste momento presente, é preciso um amor extraordinário por Jesus, um amor que tenha a coragem de lutar contra todas as estruturas de pecado. Não há santidade sem liberdade! Ela não pode ser vivida sem o ato de ser profeta, que exige anúncio e denúncia; ela não pode ser vivida sem luta contra todas essas estruturas que abalam a Igreja.
Santidade é luta pessoal, pois só você pode ter a certeza interior de que a busca defendendo a verdade que está na Igreja, com amor esponsal consumindo-se pela Igreja de Cristo, mesmo que isso lhe cause perseguição.
Ser santo não é somente imitar Jesus, mas é ser Jesus, é vivê-Lo. Não dá para ser santo vivendo como todos vivem, aplaudindo tudo, vivendo de acordo com o sistema deste mundo. É preciso ir na contramão. Embora isso custe vida e sacrifício – é o jeito que o Senhor deseja que vivamos. Você não pode ficar na hipocrisia de uma vida falsa.
A santidade precisa dar ao mundo um sinal de contradição, e dizer sempre que o “sim” é “sim” e que o “não” é “não”. Precisa ser uma mudança interna do nosso interior, uma mudança de “ossos” como diz São Paulo. Não se esconda atrás do túmulo dos santos, vá aos santuários buscando ser santo. A luta é sua, a dor, as lágrimas são suas, o ardente desejo de santidade é somente seu.
Que Jesus não seja somente uma lembrança. Você não é uma “ovelha perdida”, pois tem um Pastor. O Senhor nos diz que esse mundo nos odiará, mas é tudo pela santidade.

quarta-feira, 9 de março de 2011

Ser santo é deixar-se amar por Deus

O papa Bento XVI vem apresentando, nas últimas semanas, uma série de catequeses sobre os doutores da Igreja. O portal RCCBRASIL, em parceria com a agência de notícias católica Zenit, apresentará os textos do Santo Padre. O texto desta semana é dedicado a São João da Cruz.
Queridos irmãos e irmãs:
Há duas semanas, apresentei a figura da grande mística espanhola Teresa de Jesus. Hoje, eu gostaria de falar sobre outro importante santo dessa terra, amigo espiritual de Santa Teresa, reformador, ao lado de sua família religiosa carmelita: São João da Cruz, proclamado Doutor da Igreja pelo Papa Pio XI, em 1926, a quem a tradição apelidou de Doctor mysticus, "Doutor místico".
João da Cruz nasceu em 1542, na pequena cidade de Fontiveros, perto de Ávila, em Castilla la Vieja, filho de Gonzalo de Yepes e Catalina Álvarez. Sua família era muito pobre, porque o pai, de origem nobre de Toledo, tinha sido expulso de casa e deserdado por ter se casado com Catalina, uma humilde tecelã de seda. Órfão de pai em tenra idade, João, aos 9 anos, mudou-se, com sua mãe e seu irmão Francisco, a Medina del Campo, perto de Valladolid, centro comercial e cultural. Lá, frequentou o Colegio de los Doctrinos, além de realizar trabalhos humildes para as freiras da igreja-convento de Madeleine. Posteriormente, dadas as suas qualidades humanas e seu desempenho na escola, foi admitido inicialmente como enfermeiro no Hospital de la Concepción, e mais tarde no Colégio dos Jesuítas, fundado em Medina del Campo: João entrou aos 18 anos e estudou, durante três anos, humanidades, retórica e línguas clássicas. No final da sua formação, teve muito clara sua própria vocação: a vida religiosa e, entre as muitas ordens presentes em Medina, sentiu-se chamado ao Carmelo.
No verão de 1563, iniciou o noviciado entre as Carmelitas da cidade, tomando o nome religioso de Matias. No ano seguinte, foi destinado à prestigiada Universidade de Salamanca, onde estudou por três anos filosofia e artes. Em 1567, foi ordenado sacerdote e voltou para Medina del Campo para celebrar sua primeira Missa, cercado pelo amor de sua família. E foi precisamente lá que teve lugar o primeiro contato entre João e Teresa de Jesus. O encontro foi crucial para ambos: Teresa explicou seu plano de reforma do Carmelo, também no ramo masculino, e sugeriu a João que se unisse a ela "para maior glória de Deus"; o jovem padre ficou fascinado pelas ideias de Teresa, chegando a se tornar um grande apoio para o projeto. Os dois trabalharam juntos alguns meses, compartilhando ideais e propostas para inaugurar, o mais breve possível, a primeira casa dos Carmelitas Descalços: a abertura ocorreu em 28 de dezembro de 1568, em Duruelo, lugar solitário da província de Ávila. Com João, formavam esta primeira comunidade masculina outros três companheiros.
Ao renovar sua profissão religiosa segundo a Regra primitiva, os quatro adotaram um novo nome: João foi chamado "da Cruz", nome com o qual seria depois universalmente conhecido. No final de 1572, a pedido de Santa Teresa, tornou-se confessor e vigário do mosteiro da Encarnação, em Ávila, onde a santa era priora. Foram anos de estreita colaboração e amizade espiritual, que enriqueceu ambos. Desse período datam também as mais importantes obras teresianas e os primeiros escritos de João.
A adesão à reforma carmelita não foi fácil e custou a João inclusive graves sofrimentos. O episódio mais dramático foi, em 1577, sua captura e reclusão no convento dos Carmelitas da Antiga Observância de Toledo, devido a uma acusação injusta. O santo permaneceu na prisão por seis meses, sujeito a privações e constrições físicas e morais. Aqui ele compôs, juntamente com outros poemas, o famoso "Cântico Espiritual". Finalmente, na noite entre 16 e 17 de agosto de 1578, conseguiu fugir de maneira arriscada, refugiando-se no mosteiro das Carmelitas Descalças da cidade. Santa Teresa e seus companheiros reformados comemoraram sua libertação com imensa alegria e, após um curto período de tempo para recuperar as forças, João foi destinado a Andaluzia, onde passou dez anos em vários mosteiros, especialmente em Granada. Assumiu cargos cada vez mais importantes na Ordem, até se tornar Vigário Provincial, e completou a redação de seus tratados espirituais.
Depois, ele voltou para sua terra natal, como membro do governo geral da família religiosa teresiana, que já gozava de plena autonomia legal. Morou no Carmelo de Segóvia, desempenhando o cargo de superior daquela comunidade. Em 1591, teve de deixar todas as responsabilidades, pois foi destinado à nova província religiosa do México. Enquanto se preparava para a longa viagem com outros dez companheiros, retirou-se a um mosteiro solitário, perto de Jaén, onde ficou gravemente doente. João enfrentou enormes sofrimentos com paciência e serenidade exemplares. Morreu na noite entre 13 e 14 de dezembro de 1591, enquanto seus irmãos recitavam o ofício matutino. Ele se despediu deles dizendo: "Hoje vou cantar o ofício no céu". Seus restos mortais foram transferidos para Segóvia. Foi beatificado por Clemente X, em 1675, e canonizado por Bento XIII, em 1726.
João é considerado um dos maiores poetas líricos da literatura espanhola. Suas principais são "Subida ao Monte Carmelo", "Noite escura da alma", "Cântico Espiritual" e "Chama viva de amor".
No "Cântico Espiritual", São João apresenta o caminho de purificação da alma, ou seja, a progressiva possessão gozosa de Deus, até que a alma chegue a sentir que ama a Deus com o mesmo amor com que é amada por Ele. A "Chama viva de amor" continua nesta perspectiva, descrevendo mais detalhadamente o estado de união transformadora com Deus. O exemplo utilizado por João é sempre o do fogo, que quanto mais arde e consome a lenha, mais se torna incandescente, até converter-se em chama: assim é o Espírito Santo, que, durante a noite escura, purifica e "limpa" a alma e, ao longo do tempo, a ilumina e esquenta como se fosse uma chama. A vida da alma é uma contínua festa do Espírito Santo, que permite entrever a glória da união com Deus na eternidade.
A "Subida ao Monte Carmelo" apresenta o itinerário espiritual do ponto de vista da purificação progressiva da alma, necessária para escalar o cume da perfeição cristã, simbolizada pelo cume do Monte Carmelo. Esta purificação é proposta como um caminho que o homem empreende, em colaboração com a ação divina, para libertar a alma de todo apego ou afeto contrário à vontade de Deus. A purificação, que, para alcançar a união de amor com Deus, deve ser total, começa na via dos sentidos e prossegue com aquela que se obtém pelas três virtudes teologais: fé, esperança e caridade, que purificam a intenção, a memória e a vontade.
A "Noite escura", descreve o aspecto "passivo", ou seja, a intervenção de Deus no processo de "purificação" da alma. O esforço humano, de fato, por si só é incapaz de chegar às raízes profundas das más inclinações e maus costumes da pessoa: pode freá-las, mas não desenraizá-las totalmente. Para fazê-lo, é necessária a ação especial de Deus, que purifica radicalmente o espírito e o dispõe para a união de amor com Ele. São João define esta purificação como "passiva", justamente porque, mesmo que aceita pela alma, é realizada pela ação misteriosa do Espírito Santo, que, como uma chama de fogo, consome toda impureza. Neste estado, a alma está sujeita a todo tipo de provas, como se estivesse em uma noite escura.
Estas indicações sobre as principais obras do santo nos ajudam a chegar mais perto dos pontos sobressalentes de sua vasta e profunda doutrina mística, que tem como objetivo descrever um caminho seguro para chegar à santidade - o estado de perfeição ao qual Deus chama todos nós. De acordo com João da Cruz, tudo o que existe, criado por Deus, é bom. Através das criaturas, podemos chegar à descoberta d'Aquele que deixou nelas seu selo. A fé, porém, é a única fonte dada ao homem para conhecer a Deus como Ele é em si mesmo, como o Deus Uno e Trino. Tudo o que Deus queria comunicar ao homem, já disse em Jesus Cristo, o Verbo feito carne. Ele, Jesus Cristo, é o caminho único e definitivo até o Pai (cf. Jo 14,6). Qualquer coisa criada não é nada comparada com Deus e nada vale fora d'Ele; por conseguinte, para alcançar o amor perfeito de Deus, qualquer outro amor deve ser conformado, em Cristo, ao amor divino.
Daí a insistência de São João da Cruz na necessidade da purificação e do esvaziamento interior para transformar-se em Deus, que é a única meta da perfeição. Esta "purificação" não é mera ausência física de coisas ou de sua utilização; o que torna a alma pura e livre, na verdade, é eliminar toda a dependência desordenada das coisas. Tudo deve ser colocado em Deus como centro e fim da vida. O longo e laborioso processo de purificação exige esforço pessoal, mas o verdadeiro protagonista é Deus: tudo que o homem pode fazer é "dispor-se" para estar aberto à ação divina e não colocar obstáculos a ela. Vivendo as virtudes teologais, o homem se eleva e dá valor ao seu próprio esforço. O ritmo de crescimento da fé, da esperança e da caridade segue o ritmo do trabalho de purificação e da progressiva união com Deus, até transformar-se n'Ele.
Quando se alcança este objetivo, a alma mergulha na própria vida trinitária, de forma que São João diz que esta chega a amar a Deus com o mesmo amor com que Ele ama, porque a ama no Espírito Santo. Assim, o Doutor Místico sustenta que não há verdadeira união de amor com Deus se não culminar com a união trinitária. Neste estado supremo, a alma santa conhece tudo em Deus e já não deve passar pelas criaturas para chegar a Ele. A alma já se sente inundada pelo amor divino e regozija-se totalmente nele.
Queridos irmãos e irmãs, no final, a pergunta que não quer calar: este santo, com sua alta mística, com esse árduo caminho até o cume da perfeição, tem algo a dizer a nós, ao cristão normal que vive nas circunstâncias da vida hoje, ou é um exemplo, um modelo somente para algumas almas escolhidas que podem realmente empreender este caminho da purificação, da ascensão mística? Para encontrar a resposta, devemos primeiro observar que a vida de São João da Cruz não era um "voar pelas nuvens místicas", senão que foi uma vida dura, muito prática e concreta, tanto como reformador da ordem, onde encontrou muitas oposições, quanto como superior provincial, ou na prisão dos seus irmãos na religião, onde foi exposto a insultos incríveis e agressões físicas.
Foi uma vida dura, mas precisamente nos últimos meses na prisão, ele escreveu uma de suas obras mais belas. E assim entendemos que o caminho com Cristo, esse ir com Cristo, "o Caminho", não é um peso adicional à carga já bastante difícil da nossa vida; não é algo que tornaria ainda mais pesado este fardo, e sim algo completamente diferente, é uma luz, uma força que nos ajuda a carregar esse peso. Se um homem tem em si um grande amor, este amor quase lhe dá asas, e então suporta mais facilmente todos os aborrecimentos da vida, porque carrega dentro de si esta grande luz; esta é a fé: ser amado por Deus e deixar-se amar por Deus em Cristo Jesus. Esse deixar-se amar é a luz que nos ajuda a carregar o peso de cada dia. E a santidade não é obra nossa, muito difícil, mas é precisamente esta "abertura": abrir as janelas da nossa alma para que a luz de Deus possa entrar; não esquecer de Deus, porque precisamente na abertura à sua luz, encontramos força, a alegria dos redimidos. Oremos ao Senhor para que nos ajude a encontrar esta santidade, para que nos ajude a deixar-nos amar por Deus, já que esta é a vocação de todos nós e a verdadeira redenção. Obrigado.

No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:
Queridos irmãos e irmãs:
Há duas semanas apresentei a figura da grande mística espanhola Teresa de Jesus; hoje gostaria de falar de São João da Cruz, reformador junto com ela da Ordem Carmelita. Nasceu em uma família pobre, tendo ficado órfão de pai ainda jovem. Devido às suas qualidades humanas e resultados no estudo, foi admitido no Colégio dos Jesuítas em Medina do Campo. Terminada a sua formação, decidiu fazer-se Carmelita. Após ter sido ordenado sacerdote, conheceu Santa Teresa, a qual lhe expôs o plano reformador para a sua ordem religiosa, que daria origem aos Carmelitas Descalços. Contudo, a sua adesão à reforma, devido a injustiças e incompreensões, causou-lhe muito sofrimento. Por fim, depois de fazer parte do governo geral da família teresiana, morreu em 1591, dizendo aos seus confrades que recitavam o Ofício Matutino: "Hoje vou cantar o Ofício no céu". Suas principais obras, nas quais apresenta a sua profunda doutrina mística, são: Subida ao Monte Carmelo; Noite Escura; Cântico Espiritual e Chama viva de Amor.
Amados peregrinos de língua portuguesa: a todos saúdo cordialmente e recordo, com São João da Cruz, que a santidade não é privilégio de poucos, mas vocação a qual todo cristão é chamado. Por isso, exorto-vos a entrardes de modo sempre mais decidido no caminho de purificação do coração e da vida, para irdes ao encontro de Cristo. Somente nele jaz a verdadeira felicidade. Ide em paz!

Princípio da Consciência de Identidade

A Palavra nos esclarece, na passagem de Efésios 1, 3 - 6: “Bendito seja Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que do alto do céu nos abençoou com toda a bênção espiritual em Cristo, e nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis, diante de seus olhos. No seu amor nos predestinou para sermos adotados como filhos seus por Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua livre vontade, para fazer resplandecer a sua maravilhosa graça, que nos foi concedida por ele no Bem-amado”.
O Catecismo da Igreja Católica, nos números 1701 e seguintes, explica que na revelação do mistério do Pai e de seu amor, Cristo manifesta plenamente o homem ao próprio homem e lhe descobre sua altíssima vocação. Em Cristo, “imagem do Deus invisível”, foi o homem criado à imagem e semelhança do Criador. Em Cristo, Redentor e Salvador, a imagem divina, alterada no homem pelo pecado, foi restaurada em sua beleza original e enobrecida pela graça de Deus. É maravilhoso saber que temos a nossa imagem e semelhança divina restaurada por Jesus Cristo e enobrecida pelo Espírito Santo.
O mundo nos propõe uma imagem caricata, viramos uma caricatura, uma semelhança pobre, inapta, distorcida, uma imitação burlesca, ridicularizada do que nascemos para ser. Quando a pessoa tem a sua imagem distorcida ela perde a consciência de sua identidade, de sua verdadeira imagem e sua vida também fica distorcida, confusa, cheia de conflitos. Quando a pessoa readquire a verdadeira consciência de sua identidade, sua vida é restaurada. Ninguém consegue oprimir e roubar a dignidade de uma pessoa consciente de sua identidade de filho (a) de Deus. A firmeza de uma convicção interior desconcerta o mundo. Foi assim com Jesus, deve ser assim conosco.
Além da consciência de nossa identidade de filhos de Deus, precisamos estar conscientes de nossa identidade batismal. Pelo batismo somos enviados a anunciar Jesus Cristo e a força do seu Evangelho, no poder do Espírito Santo. Uma prática para nos ajudar a lembrar sempre quem somos em Jesus e na Igreja: quando acordarmos de manhã, mesmo antes de levantar, deleitarmo-nos por um momento na alegria de ser filho e colocar, de novo, a nossa vida a serviço, reafirmando a Deus nossa missão de batizados. Sempre que colocamos nossa vida diante de Deus recebemos uma força nova, uma unção nova, uma nova disposição interior.
Maria Beatriz Spier Vargas
Secretária-Geral do Conselho Nacional da RCCBRASIL

sábado, 26 de fevereiro de 2011

SÁBIA MANSIDÃO DE SÃO PEDRO CANÍSIO

O papa Bento XVI vem apresentando, nas últimas semanas, uma série de catequeses sobre os doutores da Igreja. O portal RCCBRASIL, em parceria com a agência de notícias católica Zenit, apresentará os textos do Santo Padre a partir desta quinta-feira (17). O texto desta semana é dedicado a São Pedro Canísio.

Queridos irmãos e irmãs:
Hoje eu gostaria de falar de Pedro Kanis - Canísio, sob a forma latina de seu nome -, uma figura importante na Igreja Católica do século XVI. Ele nasceu em 8 de maio de 1521, em Nijmegen, Holanda. Seu pai era o prefeito da cidade. Enquanto estudava na Universidade de Colônia, visitou os monges cartuxos de Santa Bárbara, um centro propulsor da vida católica, e outros homens piedosos que cultivavam a espiritualidade chamada devotio moderna. Entrou na Companhia de Jesus a 8 de maio de 1543, em Mainz (Renânia-Palatinado), depois ter frequentado um curso de exercícios espirituais sob a supervisão do Beato Pedro Fabro, Petrus Faber, um dos primeiros companheiros de Santo Inácio de Loyola. Ordenou-se sacerdote em junho 1546, em Colônia, e, no ano seguinte, esteve presente no Concílio de Trento, como teólogo do Bispo da Áustria, o cardeal Otto Truchsess von Waldburg, onde trabalhou com dois irmãos, Diego Lainez e Alfonso Salmeron.
Em 1548, Inácio o fez completar sua formação espiritual em Roma e o mandou ao Colégio de Messina, para exercitar-se em humildes serviços domésticos. Em Bolonha, obteve o doutorado em teologia, em 4 de outubro de 1549, e foi então enviado por Santo Inácio à Alemanha, para o apostolado. Em 2 de setembro daquele ano, 1549, visitou o Papa Paulo III em Castel Gandolfo e, depois disso, foi para a Basílica de São Pedro para rezar. Lá, implorou a ajuda dos grandes apóstolos Pedro e Paulo, para que dessem uma eficácia permanente à bênção apostólica para o seu grande destino, para a sua nova missão. Em seu diário, ele escreveu algumas palavras da oração que fez: "Lá, senti que um grande consolo e a presença da graça me foram concedidos por meio desses intercessores (Pedro e Paulo). Eles confirmaram a minha missão na Alemanha e pareciam transmitir-me, como apóstolo da Alemanha, o apoio da sua benevolência. Senhor, tu conheces de que maneira e quantas vezes nesse mesmo dia me confiaste a Alemanha, da qual logo cuidarei e pela qual desejo viver e morrer".
Devemos lembrar que estamos na época da Reforma luterana, no momento em que a fé católica nos países de fala germânica, diante do fascínio da Reforma, parecia estar se apagando. Era um dever quase impossível o de Canísio, responsável pela revitalização e pela renovação da fé católica nos países germânicos. Isso só seria possível com a força da oração. Seria possível apenas a partir da base, ou seja, a partir de uma profunda amizade com Jesus Cristo; amizade com Cristo no seu Corpo, a Igreja, que é alimentada na Eucaristia, sua presença real.
Seguindo a missão que recebeu de Inácio e do Papa Paulo III, Canísio partiu para a Alemanha e foi, em primeiro lugar, ao Ducado da Baviera, que durante muitos anos foi a sede do seu ministério. Como decano, reitor e vice-chanceler da Universidade de Ingolstadt, cuidou da vida acadêmica do Instituto e da reforma religiosa e moral do povo. Em Viena, onde por um breve tempo foi administrador da diocese, ele desenvolveu o ministério pastoral em hospitais e prisões, tanto na cidade como no campo, e preparou a publicação do Catecismo. Em 1556, fundou o Colégio de Praga e, até 1569, foi o primeiro superior da Província Jesuíta da Alta Alemanha.
Entre estas tarefas, estabeleceu nos países germânicos uma densa rede de comunidades da sua Ordem, especialmente colégios, que foram pontos de partida para a reforma católica, para a renovação da fé católica. Nesse tempo, também participou do Colóquio de Worms, com os líderes protestantes, entre os quais estava Filippo Melantone (1557); atuou como núncio pontifício na Polônia (1558); participou das duas Dietas de Augusta (1559 e 1565); acompanhou o cardeal Stanislao Hozjusz, enviado do Papa ao Imperador Ferdinando (1560); interveio na sessão final do Concílio de Trento, onde falou sobre a questão da Comunhão sob as duas espécies e sobre o Índice de Livros Proibidos (1562).
Em 1580, retirou-se para Friburgo, na Suíça, dedicado inteiramente à pregação e à composição de suas obras. Morreu lá, em 21 de dezembro de 1597. Beatificado pelo Beato Pio IX, em 1864, foi proclamado, em 1897, segundo Apóstolo da Alemanha pelo Papa Leão XIII; foi canonizado pelo Papa Pio XI e proclamado Doutor da Igreja em 1925.
São Pedro Canísio passou grande parte de sua vida em contato com as pessoas socialmente mais importantes da sua época e exerceu uma influência especial com seus escritos. Foi editor das obras completas de São Cirilo de Alexandria e de São Leão Magno, das Cartas de São Jerônimo e das Orações de São Nicolau de Flüe. Publicou livros de devoção em vários idiomas, biografias de alguns santos suíços e muitos textos de homilética. Mas seus escritos mais populares foram os três Catecismos elaborados entre 1555 e 1558. O primeiro foi desenvolvido para estudantes com um nível de compreensão das noções elementares de teologia; o segundo, para as crianças do povoado, para o início de uma instrução religiosa; o terceiro, para jovens com uma formação escolar média ou superior. A doutrina católica foi exposta em forma de perguntas e respostas, brevemente, em termos bíblicos, de forma muito clara e sem menções críticas.
Somente durante a sua vida, foram feitas 200 edições desse Catecismo! E depois surgiram centenas de edições, até o século XX. Assim, na Alemanha, ainda na geração do meu pai, as pessoas chamavam o Catecismo simplesmente de "Canísio": ele foi realmente o catequista dos séculos; formou a fé das pessoas durante séculos.
Esta é uma característica de São Pedro Canísio: saber apresentar harmonicamente a fidelidade aos princípios dogmáticos com o respeito devido a cada pessoa. São Canísio distinguiu a apostasia consciente e culpada da fé, da perda da fé inocente devido às circunstâncias. E declarou, diante de Roma, que a maioria dos alemães passou ao protestantismo sem ter culpa. Em um momento histórico de fortes contrastes confessionais, evitou as asperezas e a retórica da ira - uma raridade naquela época de discussões entre os cristãos -, centrando-se na apresentação das raízes espirituais e na revitalização da fé na Igreja. Para isso, foi-lhe muito útil o vasto e penetrante conhecimento que tinha das Sagradas Escrituras e dos Padres da Igreja: o mesmo conhecimento que refletia sua relação pessoal com Deus e a austera espiritualidade que derivada da devotio moderna e da mística renana.
A característica da espiritualidade de São Canísio é uma amizade profunda com Jesus. Por exemplo, escreveu em seu diário, no dia 4 de setembro de 1549, conversando com o Senhor: "Tu, no final, como se pudesses abrir o coração do Santíssimo Corpo, que eu parecia ver na minha frente, mandaste-me beber dessa fonte, convidando-me, por assim dizer, a tirar as águas da minha salvação das tuas fontes, ó meu Salvador". Percebe-se que o Salvador lhe dá uma veste com três partes, que se chamam paz, amor e perseverança. E com essa vestimenta feita de paz, amor e perseverança, Canísio realizou o seu trabalho de renovação do catolicismo. Esta amizade com Jesus - que é o centro de sua personalidade -, nutrida pelo amor à Bíblia, pelo amor ao Sacramento, pelo amor aos Padres, estava claramente unida à consciência de ser, na Igreja, um continuador da missão dos Apóstolos. E isso nos lembra que todo evangelizador é sempre um instrumento unido - e, por isso mesmo, fecundo - a Jesus e à sua Igreja.
São Pedro Canísio tinha se formado nessa amizade com Jesus dentro da atmosfera espiritual da Cartuxa de Colônia, onde ele tinha mantido contato próximo com os dois místicos cartuxos, Johann Lansperger, latinizado como Lanspergius, e Nicolas van Hesch, latinizado como Eschius. Mais tarde, aprofundou na experiência dessa amizade, familiaritas stupenda nimis, com a contemplação dos mistérios da vida de Jesus, que ocupam uma grande parte dos exercícios espirituais de Santo Inácio. Sua intensa devoção ao Coração do Senhor, que culminou na consagração ao ministério apostólico na Basílica Vaticana, encontra aqui seu fundamento.
Na espiritualidade cristocêntrica de São Pedro Canísio existe uma convicção profunda: não existe alma cuidadosa da própria perfeição que não pratique todos os dias a oração mental, caminho ordinário que permite que o discípulo de Jesus viva a intimidade com o divino Mestre. Por isso, nos escritos destinados à educação espiritual do povo, nosso santo salienta a importância da liturgia com os comentários sobre os Evangelhos, as festas, o rito da Santa Missa e demais sacramentos, mas, ao mesmo tempo, preocupa-se por mostrar aos fiéis a necessidade e a beleza de que a oração pessoal diária acompanhe e inspire a participação no culto público da Igreja.
Trata-se de uma exortação e de um método que conservam intacto o seu valor, especialmente depois de terem sido propostos novamente pelo Concílio Vaticano II, na constituição Sacrosanctum Concilium: a vida cristã não crescerá se não for alimentada pela participação na liturgia, em particular na Santa Missa dominical, e pela oração pessoal diária, pelo contato pessoal com Deus. Entre as muitas atividades e os múltiplos estímulos que nos cercam, é preciso encontrar, cada dia, momentos de recolhimento diante do Senhor, para ouvi-lo e falar com Ele.
Ao mesmo tempo, é sempre atual e de valor permanente o exemplo que São Pedro Canísio nos deixou, não só em suas obras, mas acima de tudo com sua vida. Ele nos ensina claramente que o ministério apostólico é incisivo e produz frutos de salvação no coração somente se o pregador for uma testemunha pessoal de Jesus e souber ser um instrumento à sua disposição, intimamente unido a Ele pela fé no seu Evangelho e na sua Igreja, por uma vida moralmente coerente e por uma oração incessante como o amor. E isso se aplica a todo cristão que quer viver com esforço e fidelidade sua adesão a Cristo.

No final da audiência, o Papa cumprimentou os peregrinos em vários idiomas. Em português, disse:
Queridos irmãos e irmãs:
São Pedro Canísio, sacerdote jesuíta e doutor da Igreja, nasceu em Nimega, na Holanda, no ano 1521. Interveio em acontecimentos decisivos do seu tempo, como o Concílio de Trento, e exerceu uma influência especial com os seus escritos. A sua obra mais difundida é o Catecismo, onde aparece a doutrina exposta sob a forma de breves perguntas e respostas, elaboradas em termos bíblicos e sem tons polêmicos. E dele preparou três versões: uma para pessoas com elementares noções de teologia, outra para crianças sem escolaridade e a terceira para estudantes liceais ou universitários. Nisto se revela uma das características de Pedro Canísio: sabia harmonizar a fidelidade aos princípios dogmáticos com o respeito devido a cada pessoa.
Amados peregrinos de língua portuguesa, para todos a minha saudação amiga e encorajadora! Antes de vós, veio peregrino a Roma Pedro Canísio para invocar a intercessão dos Apóstolos São Pedro e São Paulo sobre a missão que lhe fora confiada na Alemanha, o seu campo de apostolado mais longo. No seu diário, descreve como aqui sentiu a graça divina que fazia dele um continuador da missão dos Apóstolos. Como ele, todos nós, cristãos, somos enviados a evangelizar, mas para isso precisamos permanecer unidos a Jesus e à Igreja. Sobre vós e vossas famílias, desça a minha bênção.
 

MOÇÃO PROFÉTICA PARA A RENOVAÇÃO CARISMÁTICADO BRASIL

Temos observado ao longo dos anos que, quando Deus dá uma moção ao Conselho Nacional através de sua Palavra, Ele está sinalizando o caminho que quer que sigamos e também a bênção especial que tem preparada para nós. Foi assim com as passagens que falavam de portas abertas (Isaías 45, 1-3; Sofonias 3, 15-18; Apocalipse 3, 7-12) e que geraram muitos testemunhos de pessoas que viram portas de sua vida se abrirem com novas oportunidades na vida pessoal, profissional e muitos campos novos de missão. A Boa Nova para aqueles que ainda não viram portas se abrirem é que esse tempo de graças foi inaugurado, mas ainda não se encerrou. Deus é o Eterno Eu Sou, o Hoje. Nele, o passado e o futuro sempre se atualizam no agora. Nele, tudo é sempre presente e o tempo é sempre kairós.
Tem sido assim com o livro de Neemias que fomos inspirados a ler e que nos convocou a um tempo de reconstrução espiritual e construção da nossa Sede Nacional através da unidade. Não se esgotou também a profecia que recebemos em 2006: “Apressai-vos, apressai-vos filhos meus. Assumi os vossos postos, tendes muito para avançar. Serão dias em que ampliarei vossa visão, mas peço que assumais vossos postos para que o Espírito Santo possa vos conduzir”. Ainda continua válida para nós a convocação que o Senhor nos fez através da passagem do livro de Macabeus: “Levantemos nossa pátria de seu abatimento e lutemos por nosso povo e nossa religião. É fácil a um punhado de gente fazer-se respeitar por muitos; para o Deus do céu não há diferença entre a salvação de uma multidão e de um punhado de homens, porque a vitória no combate não depende do número, mas da força que desce do céu” (1Mc 3, 43.18-19).
Este ano estamos fazemos nossa caminhada iluminados pelo tema “Por causa de Tua Palavra, lançaremos as redes.” Esta passagem é retirada do Evangelho de Lucas, capítulo cinco, a passagem da pesca milagrosa, onde depois de ter pregado da barca de Pedro para o povo, Jesus lhe diz: “Faze-te ao largo, e lançai as vossas redes para pescar”. Pedro e seus companheiros haviam pescado a noite toda e não tinham apanhado nada. Eles sabiam pela evidência e também por sua longa experiência de pescadores que o mar não estava dando peixe naquele dia, mas entendem que Jesus lhes pede que ajam baseados na fé e não nas evidências e nem na experiência. Essa é a moção para nós. Tem uma graça especial contida nessa palavra.  Jesus está nos pedindo para pescar onde parece não haver peixe, porque Ele pode trazer à existência coisas que não existem, a nossa fé nele pode fazer o invisível se tornar visível. Pela graça especial de Deus, aquilo que tentamos antes e não conseguimos pode acontecer.
O texto bíblico diz: “Faze-te ao largo, e lançai vossas redes para pescar”. Fazer-se ao largo é ir mais para o fundo. A leitura que fazemos é de deixarmos de ser rasos e superficiais na nossa fé, na nossa adesão ao Senhor e, com base na nossa confiança total e absoluta nele, voltar a pescar naquela situação que nos frustrou, voltar a sonhar os sonhos que abandonamos. Jesus nos pede uma atitude nova e nos dá uma força nova. A força nova é a graça de Deus contida nessa palavra; a atitude nova é de enfrentarmos tudo com a profundidade da fé, com profunda adesão ao que Deus tem nos pedido através das passagens bíblicas, das profecias e das moções que nos dá.
Em novembro de 2010, durante a reunião do Conselho Nacional, refletíamos que se juntarmos todas as profecias, todas as palavras rhema, todos os direcionamentos que o Senhor tem nos dado, eles podem ser resumidos em alguns princípios, a saber, o princípio da consciência de nossa identidade, o princípio do bem, o da verdade e o da partilha.
Maria Beatriz Spier Vargas
Secretária Geral do Conselho Nacional da RCCBRASIL

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA E A CNBB

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) possui um documento, chamado Documento 53, com recomendações disciplinando certas práticas místicas no contexto da RCC. Recomenda-se, por exemplo, que se evite a prática do "Repouso no Espírito" (na qual as pessoas parecem desmaiar durante os momentos de oração, mas permanecem conscientes do que ocorre em sua volta). E preocupações exageradas com o demônio:
63 - Orar e falar em línguas: O destinatário da oração em línguas é o próprio Deus, por ser uma atitude da pessoa absorvida em conversa particular com Deus. E o destinatário do falar em línguas é a comunidade. Como é difícil discernir, na prática, entre inspiração do Espírito Santo e os apelos do animador do grupo reunido, não se incentive a chamada oração em línguas e nunca se fale em línguas sem que haja intérprete.
65 - Em Assembleias, grupos de oração, retiros e outras reuniões evite-se a prática do assim chamado "repouso no Espírito". Essa prática exige maior aprofundamento, estudo e discernimento. (...)
68 - Procure-se, ainda, formar adequadamente as lideranças e os membros da RCC para superar uma preocupação exagerada com o demônio, que cria ou reforça uma mentalidade fetichista, infelizmente presente em muitos ambientes.
O documento também menciona vários aspectos positivos do movimento.

EFUSÃO NO ESPÍRITO SANTO

Segundo a RCC, a Efusão no Espírito Santo é uma experiência que normalmente decorre de um momento de oração e pela qual a pessoa adquire um novo e apurado senso de "valor espiritual". A partir desse momento o "Espírito Santo" passaria a orientar a vida da pessoa, confirmando verdades interiores e até modificando posturas diante dos homens e do mundo. Como primeiro resultado deste 'batismo' verificar-se-ia o desejo pela oração e pela vida na Igreja. Fala-se também em proliferação de eventos sobrenaturais (ideias, fatos, nomes, condutas, pensamentos), tomados como revelações divinas (dons espirituais).
Segundo a teologia católica, toda pessoa recebe o Espírito Santo por ocasião do sacramento do Batismo. A Igreja não define a necessidade de um segundo batismo, conforme a profissão de fé do Credo Niceno: "Professo um só batismo para remissão dos pecados". Sendo assim, o 'Batismo no Espírito Santo' como entendido pela RCC, não é um sacramento nem um requisito para a Salvação. Ele seria uma renovação do contato com Deus que fora adquirido originalmente pelo batismo, um auxílio para uma vivência da fé mais próxima da anunciada no evangelho e o catalisador uma vida de oração mais intensa. Entende-se que esse batismo no Espírito Santo não seja uma invenção da RCC, mas parte dos primórdios do nascimento da Igreja.

OS CARISMÁTICOS E O ESPÍRITO SANTO

Segundo à RCC, o "Espírito Santo" habita dentro de cada cristão. Seria o desejo de praticar o bem. Ele é descrito como um 'conselheiro' ou 'ajudante' (paraclete em Grego), o Espírito Santo paráclito (aquele que advoga) guiando-os no "caminho da verdade e da justiça".
A Renovação carismática coloca uma ênfase especial nas obras do "Espírito Santo". Segundo à RCC os 'Frutos do Espírito' (i.e. os resultados da sua influência) são "amor, gozo (ou alegria), paz, longanimidade, benignidade, bondade, , mansidão, temperança" (Gálatas 5:22). Ainda de acordo com a RCC, ele também concede dons (i.e. habilidades) aos Cristãos tais como os dons carismáticos de profecia, línguas, discernimento, sabedoria, cura, , milagres, e ciência. Embora alguns Cristãos acreditem que isto apenas aconteceu nos tempos do Novo Testamento, a RCC acredita que hoje estes dons estão novamente sendo concedidos.
Desse modo, nos grupos de oração da RCC é muito comum o uso do "dom de línguas". Também não é raro serem alegadas visões e profecias de origem sobrenatural que transmitiriam mensagens de Jesus, do Espírito Santo ou de Maria. Às vezes chegam a ser alegadas a realização de curas espirituais ou físicas e outros milagres.

CARACTERISTICA E DOUTRINA

Em termos de doutrina a RCC afirma seguir a Bíblia, o Catecismo da Igreja e todas as demais diretrizes da Igreja entre ela os dogmas já fixados no catolicismo romano, como a crença na intercessão dos santos e a imaculada Maria.
Em suas reuniões de Oração utiliza músicas de louvor, adorações e pregações.
Prega que o pecado - definido pela Igreja como um ato ou desejo contrário a vontade de seu Deus - é a fonte dos males vividos na sociedade atual. Ganância, egoísmo, soberba, vícios, mau uso da liberdade, etc, seriam consequências dos pecados do homem.
Defende que Jesus tem o poder de libertar e perdoar os pecados e que, para isso, basta que o homem arrependa-se diante dele e se utilize da confissão.
O bem maior que a RCC possui é a Eucaristia que é a celebração da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo. No movimento é também presente a devoção à Santíssima Virgem Maria, mãe de Jesus, proclamando-a como bem-aventurada e pedindo sua intercessão e auxílio.

A RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA NO BRASIL

No Brasil a Renovação Carismática teve origem na cidade de Campinas, SP, através dos padres Haroldo Joseph Rahm e Eduardo Dougherty (2).
Os rumos que a Renovação Carismática tomará a partir de Campinas serão diversos, expandindo-se rapidamente pela maioria dos Estados brasileiros. Entre algumas informações disponíveis encontramos as de Dom Cipriano Chagas que registra:
  • Em 1970 e 71 iniciou-se a Renovação em Telêmaco Borba, no Paraná, com Pe. Daniel Kiakarski, que a conhecera nos Estados Unidos também em 1969.
  • Em 1972 e 1973 Pe. Eduardo, de novo no Brasil, deu vários retiros e iniciou grupos de oração. Assim foi, por exemplo, em Belo Horizonte, em 1972, com um grupo pequeno de 8 ou 9 pessoas.
  • Em janeiro de 1973 o Pe. George Kosicki, CSB, que havia muito participava ativamente da Renovação nos Estados Unidos, veio a Goiânia para um retiro carismático de uma semana. A ele compareceram D. Matias Schmidt, atual bispo de Rui Barbosa, na Bahia, e vários padres e religiosas, que iriam iniciar grupos de oração em Anápolis, Brasília, Santarém, Jataí, etc.
  • Em 1973, perto de Miranda, no Mato Grosso, um pequeno grupo começou a ler o livro Sereis Batizados no Espírito e a rezar pedindo o dom do Espírito. Um mês mais tarde veio a eles o Pe. Clemente Krug, redentorista, que conhecera a Renovação em Convent Station, New Jersey; orando com eles, receberam o denominado “batismo no Espírito” e o suposto dom de línguas.
  • Em geral, pois, pode-se dizer que os grupos de oração surgidos em inúmeras cidades do Brasil tiveram sua origem seja nas “Experiências de Oração no Espírito Santo” do Pe. Haroldo Rahm, SJ, seja nos retiros dados pelos padres Eduardo Dougherty, SJ e George Kosicki, CSB.
  • Em vista da extensão que tomava a Renovação no Brasil, o Pe. Eduardo Dougherty, sentindo a necessidade de uma melhor organização, preparou com o Pe. Haroldo Rahm e Irmã Juliette Schuckenbrock, CSC, um encontro de fim de semana em Campinas, que foi o I Congresso Nacional da Renovação Carismática no Brasil em meados de 1973, ao qual compareceram cerca de 50 líderes.
  • Em janeiro de 1974 foi realizado o II Congresso Nacional da Renovação Carismática, comparecendo lideres de Mato Grosso, Belo Horizonte, Salvador, Rio de Janeiro, Santos, São Paulo, etc. (3).
Em outras regiões a Renovação Carismática começa a crescer, a partir de 1974: no Norte a diocese de Santarém com Frei Paulo, em Anápolis, no Centro Oeste, com Frei João Batista Vogel, no Sul de Minas, com Mons. Mauro Tommasini na Aquidiocese de Pouso Alegre. Também colaboram como divulgadores: Pe. Schuster, Dr. Jonas e Sra. Imaculada Petinnatti, Peter e Ingrid Orglmeister, D. Cipriano Chagas, Pe. Alírio Pedrini, Frei Antônio, Ir. Tarsila, Maria Lamego, Ir. Stelita (4).
No início, a Renovação atingiu os líderes já engajados em movimentos como Cursilho, Encontros de Juventude, TLC, etc, e foi se ampliando gradativamente como uma nova “onda” de doutrinação com identidade própria (5).
Em 1972, Pe. Haroldo escreve o livro Sereis batizados no Espírito (6), onde explica o que vem a ser o “Pentecostalismo Católico”. Sendo uma das primeiras obras publicadas no país sobre o movimento, trazia orientações para a realização dos retiros de “Experiência de Oração no Espírito Santo”, que muito colaboraram para o surgimento de vários grupos de oração.

A ORIGEM DA RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA

A renovação carismática, inicialmente conhecida como movimento católico pentecostal, ou católicos pentecostais, depois por catolicos renovados e hoje pelo proprio nome do movimento como uma forma de se diferenciarem dos grupos evangélicos como católicos carismáticos surgiu em 1967, quando Steve Clark, da Universidade de Duquesne em Pittsburgh, Pensilvânia, Estados Unidos, durante o Congresso Nacional de "Cursilhos de Cristandade", mencionou o livro "A Cruz e o Punhal", do pastor John Sherril, sobre o trabalho do pastor David Wilkerson com os drogados de Nova York, falando que era um livro que o inquietava e que todos deveriam lê-lo.
Em 1966, católicos da Universidade de Duquesne reuniam-se para oração e conversas sobre a fé. Eram católicos dedicados a atividades apostólicas, mas, ainda assim, insatisfeitos com a sua experiência religiosa. Em razão disso, decidiram começar a orar para que o Espírito Santo se manifestasse neles. Querendo vivenciar a experiência com o Espírito, foram ao encontro de William Lewis, sacerdote da Igreja Episcopal Anglicana, que por sua vez os levou até Betty de Shomaker, que fazia em sua casa uma reunião de oração pentecostal.
Em 13 de janeiro de 1967, Ralph Keiner, sua esposa Pat, Patrick Bourgeois e Willian Storey vão à casa de Flo Dodge, paroquiana Anglicana de William Lewis, para assistir a reunião. Em 20 de janeiro assistem mais uma reunião e suplicam que se ore para que eles recebam o "Batismo no Espírito Santo". Ralph recebe o suposto dom de línguas (fenômeno chamado no meio acadêmico de glossolalia). Na semana seguinte, a fevereiro de 1967, Ralph impõe as mãos para que os quatro recebam o denominado batismo no Espírito.
Em janeiro de 1967, Bert Ghezzi comunica a universitários de Notre Dame, South Bend, Indiana o que teria ocorrido em Pittsburgh. Em fevereiro, antes do retiro de Duquesne, Ralph Keifer vai a Notre Dame e conta suas experiências. Em quatro de março, um grupo de estudantes se reúne na casa de Kevin e Doroth Ranaghan. Um professor de Pittsburgh partilha a experiência de Duquesne, e em 5 de março de 1967 o grupo pede a imposição de mãos para receber o Espírito Santo.
Após a Semana Santa, realizou-se um retiro em Notre Dame para discernir o que seu Deus supostamente estaria querendo com essas manifestações. Participam professores, alunos e sacerdotes. 40 pessoas de Notre Dame e 40 da Universidade de Michigan, entre os quais Steve Clark e Ralph Martin, que em 1976 iriam para a Universidade de Michigan, em Ann Arbor.

RENOVAÇÃO CARISMÁTICA CATÓLICA O QUE É? QUEM SOMOS?

A Renovação Carismática Católica (RCC) é um movimento católico que surgiu nos Estados Unidos em meados da década de 1960, se assemelhando à algumas das práticas já existentes em denominações evangélicas(protestantes) porém fortalecendo dogmas já existentes no catolicismo romano. Ele é voltado para a experiência pessoal com Deus, particularmente através do Espírito Santo e dos seus dons. Esse movimento busca dar uma nova abordagem às formas de doutrinação e renovar práticas tradicionais dos ritos e da mística católicos. Hoje a RCC tem mais de 100 milhões de membros em todo mundo.

ESTRUTURA E CARGOS

A Igreja Católica tem uma estrutura altamente hierarquizada, sendo o seu Chefe o Papa. A expressão "Santa Sé" significa o conjunto do Papa e dos dicastérios da Cúria Romana, que o ajudam no governo de toda a Igreja.
A Igreja tem uma estrutura hierárquica de títulos que são, em ordem descendente:
  • Presbíteros ou Padres são os colaboradores dos bispos e só têm um nível de jurisdição parcial sobre os fiéis. Alguns deles lideram as paróquias da sua diocese.
    • Monsenhor é um título honorário para um presbítero, que não dá quaisquer poderes sacramentais adicionais.
Todos os ministros sagrados supra-mencionados fazem parte do clero. A Igreja acredita que os seus clérigos são "ícones de Cristo" [61], logo todos eles são homens, porque os doze Apóstolos são todos homens e Jesus, na sua forma humana, também é homem [62]. Mas isto não quer dizer que o papel da mulher na Igreja seja menos importante, mas apenas diferente [63]. Exceptuando em casos referentes aos diáconos e a padres ordenados pelas Igrejas orientais, todo o clero católico é celibatário [64]. Os clérigos são importantes porque efectuam exclusivamente determinadas tarefas, como a celebração da Missa e dos sacramentos.
Existem ainda funções menores: Leitor, Ministro Extraordinário da Comunhão eucarística, Ministro da Palavra e Acólito. Estas funções tomados em conjunto não fazem parte do clero, pois são conferidas aos leigos, uma vez que, para entrar para o sacerdócio, é preciso ao católico receber o sacramento da Ordem. Desde o Concílio Vaticano II, os leigos tornaram-se cada vez mais importantes no seio da vida eclesial e gozam de igualdade em relação ao clero, em termos de dignidade, mas não de funções [65].
Dentro da Igreja, existem um grupo de leigos ou de clérigos que decidiram tomar uma vida consagrada e normalmente agrupam-se em ordens religiosas, congregações religiosas ou em institutos seculares, existindo porém aqueles que vivem isoladamente ou até junto dos não-consagrados. Estes movimentos apostólicos têm a sua própria hierarquia e títulos específicos.

OS CINCO MANDAMENTOS DA IGREJA CATÓLICA

Os cinco mandamentos ou preceitos da Igreja Católica (não confundir com os Dez Mandamentos da Lei de Deus), na sua forma atual, foram promulgados em 2005 pelo Papa Bento XVI, quando suprimiu o termo "dízimos" do quinto mandamento (pagar dízimos conforme o costume), cujo sentido real era, obviamente, uma contribuição segundo as possibilidades de cada um, e não uma taxação ou imposto sobre os rendimentos.
Os cinco mandamentos ou preceitos da Igreja são:[56]
  1. Participar na Missa, aos domingos e festas de guarda e abster-se de trabalhos e actividades que impeçam a santificação desses dias.
    Os dias santos de guarda ou preceito que podem não ser no domingo são dez:[57] [nota 1]
    1 de Janeiro - Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus;
    6 de Janeiro - Epifania
    19 de Março - Solenidade de São José
    Ascensão de Jesus (data variável - quinta-feira da sexta semana da Páscoa)
    Corpus Christi (data variável - 1ª quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade)
    29 de Junho - Solenidade dos Apóstolos São Pedro e São Paulo.
    15 de Agosto - Assunção de Maria
    1 de Novembro - Dia de Todos-os-Santos
    8 de Dezembro - Imaculada Conceição de Maria
    25 de Dezembro - Natal


  2. Confessar os pecados ao menos uma vez cada ano.


  3. Comungar o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa.


  4. Guardar a abstinência e jejuar nos dias determinados pela Igreja:
    Dias de jejum: Quarta-feira de Cinzas e Sexta-feira Santa. [58]
    Dias de abstinência de carne ou de qualquer outra comida determinada pela conferência episcopal: todas as sextas-feiras, principalmente as da Quaresma, a não ser que uma solenidade seja numa sexta-feira. [58]


  5. Contribuir para as necessidades materiais da Igreja, segundo as possibilidades.


SACRAMENTOS

Dentro da fé católica, os sacramentos, que a Igreja acredita serem instituídas por Jesus, são gestos e palavras de Cristo que concedem e comunicam a graça santificadora sobre quem os recebe. Sobre os sacramentos, São Leão Magno diz: "«o que era visível no nosso Salvador passou para os seus sacramentos»" [52].
Ao celebrá-los, a Igreja Católica alimenta, exprime e fortifica a sua fé, sendo por isso os sacramentos uma parte integrante e inalienável da vida de cada católico e fundamentais para a sua salvação. Isto porque eles conferem ao crente a graça divina, os dons do Espírito Santo, "o perdão dos pecados, [...] a conformação a Cristo Senhor e a pertença à Igreja", que o torna capaz "de viver a vida nova de filhos de Deus em Cristo acolhido com a ". Daí a grande importância dos sacramentos na liturgia católica [53]. Ao todo, a Igreja Católica tem sete sacramentos:
  • Baptismo é dado às criança e a convertidos adultos que não tenham sido antes baptizados validamente (o baptismo da maior parte das igrejas cristãs é considerado válido pela Igreja Católica, contanto que seja feito pela fórmulta: "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". A rigor, todo cristão pode, nessa fórmula, batizar validamente alguém, nomeadamente em situações urgentes. Entretanto, o baptismo será ilícito, devendo o baptizado ser levado na presença de um sacerdote, para que complete os rituais do sacramento, como a unção com o Crisma e com o óleo dos catecúmenos).
  • Confissão, Penitência ou Reconciliação envolve a admissão de pecados perante um padre e o recebimento de penitências (tarefas a desempenhar a fim de alcançar a absolvição ou o perdão de Deus).
  • Eucaristia (Comunhão) é o sacramento mais importante da Igreja porque ela relembra e renova o mistério pascal de Cristo, actualizando e renovando assim a salvação da humanidade [54]. Por isso, recebe também o nome de Santíssimo Sacramento. Este sacramento está associado também à transubstanciação, que é a crença de que, após a consagração, o pão e o vinho oferecidos e consagrados se tornam realmente o Corpo e o Sangue de Jesus Cristo, sob as aparências de pão e vinho.
  • Na Confirmação ou Crisma, o Espírito Santo, que é recebido no baptismo é "fortalecido e aprofundado" [55] através da imposição de mãos e da unção com santo óleo do Crisma. Na maior parte das igrejas de Rito latino, este sacramento é presidido por um bispo e tem lugar no início da idade adulta (na maioria das vezes, quando se completam 15 anos). Nas Igrejas Católicas Orientais o sacramento do Crisma é geralmente executado por um padre imediatamente depois do baptismo.
  • Sagrado matrimónio é o sacramento que valida, diante de Deus, a união de um homem e uma mulher, constituindo assim uma família. Segundo a tradição católica, com base no Evangelho de São Marcos, o casamento é indissolúvel. Só é permitido um segundo casamento no caso da morte de um dos cônjuges ou em situações especias de nulidade do casamento.
  • As Ordens Sagradas recebem-se ao entrar para o clero, através da consagração das mãos com o santo óleo do Crisma e, no rito latino (ou ocidental), envolvem um voto de castidade enquanto que nos ritos orientais, os homens casados são admitidos como padres diocesanos, mas não como bispos ou padres monásticos. Em raras ocasiões, permitiu-se que padres casados que se converteram a partir de outros grupos cristãos fossem ordenados no rito ocidental. No rito ocidental, os homens casados podem ser ordenados diáconos permanentes, mas não podem voltar a casar se a esposa morrer ou se for declarada a nulidade do casamento. O sacramento das Ordens Sagradas é dado em três graus: o do diácono (desde o Concílio Vaticano II um diácono permanente pode ser casado antes de se tornar diácono), o de sacerdote e o de bispo.
  • A Unção dos enfermos era conhecida como "extrema unção" ou "último sacramento". Envolve a unção de um doente com um óleo sagrado dos enfermos, abençoado especificamente para esse fim. Já não está limitada aos doentes graves e aos moribundos, mas a Igreja recomenda esse sacramento e o viático para a hora da morte.

OS DEZ MANDAMENTOS E A MORAL

Existem várias representações dos Dez Mandamentos, que é a base e o mínimo fundamental da Lei moral (ou Lei de Deus), devido à diversidade de traduções existentes. A mais utilizada é aquela ensinada actualmente na catequese de língua portuguesa da Igreja Católica:
  • 1º Amar a Deus sobre todas as coisas.
  • 2º Não invocar o Santo Nome de Deus em vão.
  • 3º Guardar domingos e festas de guarda.
  • 4º Honrar pai e mãe.
  • 5º Não matar.
  • 6º Guardar castidade nas palavras e nas obras.
  • 7º Não roubar.
  • 8º Não levantar falsos testemunhos.
  • 9º Guardar castidade nos pensamentos e nos desejos.
  • 10º Não cobiçar as coisas alheias.
Para os católicos, eles são de observância e cumprimento obrigatórios, porque "enuncia deveres fundamentais do homem para com Deus e para com o próximo" e dão a conhecer também a vontade divina sobre a conduta moral dos homens [5

ECLESIOLOGIA

A Igreja Católica define-se pelas palavras do Credo Niceno-Constantinopolitano, como:
  • «santa» por causa da sua ligação única com Deus, o seu Autor, porque "o Espírito Santo vivificou-a com a caridade" e porque ela é a "Esposa de Cristo"; também porque ela, através dos sacramentos, tem por objectivo santificar, purificar e transformar os fiéis, reunindo-os todos para o seu caminho de santificação, cujo objectivo final é a salvação, que consiste na vida eterna, na realização final do Reino de Deus e na obtenção da santidade [43].
  • «católica» porque a Igreja é universal e está espalhada por toda a Terra; é portadora da integralidade e totalidade do depósito da fé; "leva e administra a plenitude dos meios" necessários para a salvação" (incluindo os sete sacramentos), dados por Jesus à sua Igreja; "é enviada em missão a todos os povos, em todos os tempos e qualquer que seja a cultura a que eles pertençam"; e nela está presente Cristo [44][45].
  • «apostólica» porque ela é fundamentada na doutrina dos Apóstolos cuja missão recebeu sem ruptura [46]. Segundo a Doutrina Católica, todos os Bispos da Igreja são sucessores dos Apóstolos e o Papa, Chefe da Igreja, é o sucessor de São Pedro ("Príncipe dos Apóstolos"), que é a pedra na qual Cristo edificou a sua Igreja.
Além disso, a Igreja, de entre os seus inúmeros nomes, também é conhecida por:
  • <<Corpo de Cristo>> porque os católicos acreditam que a Igreja não é apenas uma simples instituição, mas um corpo místico constituído por Jesus, que é a Cabeça, e pelos fiéis, que são membros deste corpo único, inquebrável e divino. Este nome é assente também na fé de que os fiéis são unidos intimamente a Cristo, por meio do Espírito Santo, sobretudo no sacramento da Eucaristia [47]. A Igreja Católica acredita que os cristãos não-católicos também pertencem, apesar de um modo imperfeito, ao Corpo Místico, visto que tornaram-se uma parte inseparável d'Ele através do Baptismo - constituindo assim numas das bases do ecumenismo actual. Ela defende também que muitos elementos de santificação e de verdade estão também presentes nas Igrejas e comunidades cristãs que não estão em plena comunhão com o Papa [48].
  • <<Esposa de Cristo>> porque o próprio Cristo "Se definiu como o «Esposo» (Mc 2,19) que amou a Igreja, unindo-a a Si por uma Aliança eterna. Ele entregou-se a Si mesmo por ela, para a purificar com o Seu sangue, «para a tornar santa» (Ef 5,26) e fazer dela mãe fecunda de todos os filhos de Deus" [49].
  • <<Templo do Espírito Santo>> porque o Espírito Santo reside na Igreja, no Corpo Místico de Cristo, e estabelece entre os fiéis e Jesus Cristo uma comunhão íntima, tornando-os unidos num só Corpo. Para além disso, Ele guia, toma conta e "edifica a Igreja na caridade com a Palavra de Deus, os sacramentos, as virtudes e os carismas" [50].

JESUS, A SALVAÇÃO E O REINO DE DEUS

Jesus Cristo é a figura central do Cristianismo, porque, por vontade de Deus Pai [22], ele encarnou-se (veio à Terra) para anunciar a salvação à humanidade inteira, "ou seja: para nos reconciliar a nós pecadores com Deus; para nos fazer conhecer o seu amor infinito; para ser o nosso modelo de santidade; para nos tornar «participantes da natureza divina» (2 Ped 1, 4)" [23]; e para "anunciar as boas novas do Reino de Deus" [24]. Santo Atanásio, um famoso Padre e Doutor da Igreja, afirmou que Jesus, "o Filho de Deus, Se fez homem, para nos fazer Deus", ou seja, para nos tornarmos santos como Deus [25].
O dogma cristológico ensina que Jesus é a encarnação do Verbo divino, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, Messias, Salvador e Bom Pastor da Humanidade [26]. Ele é também «o Filho Unigénito de Deus» (1 Jo 2, 23), a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, o único e verdadeiro Sumo Sacerdote [27] e Mediador entre os homens e Deus Pai, chegando mesmo a afirmar que "«Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida. Ninguém vai ao Pai senão por Mim» (Jo 14, 6)" [28].
Nas suas muitas pregações, Jesus, ao anunciar o Evangelho, ensinou as bem-aventuranças e insistiu sempre «que o Reino de Deus está próximo» (Mt 10,7). Exortou também que quem quisesse fazer parte desse Reino teria de nascer de novo, de se arrepender dos seus pecados, de se converter e purificar. Jesus ensinava também que o poder, a graça e a misericórdia de Deus era maior que o pecado e todas as forças do mal, insistindo por isso que o arrependimento sincero dos pecados e a em Deus podem salvar os homens [29]. Este misterioso Reino, que só se irá realizar-se na sua plenitude no fim do mundo, está já presente na Terra através da Igreja, que é a sua semente. No Reino de Deus, o Mal será inexistente e os homens salvos e justos, após a ressurreição dos mortos e o fim do mundo, passarão a viver eternamente em Deus, com Deus e junto de Deus [30].
A doutrina católica professa também que a salvação do Homem deve-se, para além da graça divina, ao voluntário Sacrifício e Paixão de Jesus na cruz. Este supremo sacrifício deve-se à vontade e ao infinito amor de Deus, que quis salvar toda a humanidade [31][32]. Além disso, é também fundamental para a salvação a adesão livre do crente à em Jesus Cristo e aos Seus ensinamentos, porque a liberdade humana, como um dom divino, é respeitado por Deus, o nosso Criador [33][34].
Esta fé cristã "opera pela caridade" ou amor (Gal 5,6), por isso ela obriga o crente a converter-se e a levar uma vida de santificação. Este modo de viver obriga o católico a participar e receber os sacramentos e a "conhecer e fazer a vontade de Deus" [35]. Este último ponto é cumprido através, como por exemplo, da prática dos ensinamentos revelados (que se resumem nos mandamentos de amor ensinados por Jesus), das boas obras e também das regras de vida propostas pela Igreja Católica [14][36][37]. Estes mandamentos de amor consistem em amar a Deus acima de todas as coisas (Mt 22,37), amar ao próximo como a si mesmo (Mt 22,39) e amar uns aos outros como Eu vos amei (Jo 15,10). Estes ensinamentos radicais constituem por isso o resumo de "toda a Lei e os Profetas" do Antigo Testamento (Mt 22,40) [38]. No fundo, a vida de santificação proposta pela Igreja tem por finalidade e esperança últimas à salvação [39] e à implementação do Reino de Deus [40][30].
A Igreja ensina também que todos os não-católicos que, sem culpa própria, ignoram a Palavra de Deus e a Igreja Católica, mas que "procuram sinceramente Deus e, sob o influxo da graça, se esforçam por cumprir a sua vontade", podem conseguir a salvação [41].

DOGMAS E SANTÍSSIMA TRINDADE

Com os seus estudos teológicos, a Igreja vai-se gradualmente instituindo os seus dogmas, que é a base da sua doutrina, sendo o último dogma (o da Assunção da Virgem Maria) proclamado solenemente apenas em 1950, pelo Papa Pio XII. Para os católicos, um dos dogmas mais importantes é o da Santíssima Trindade, que, não violando o monoteísmo, professa que Deus é simultaneamente uno (porque, em essência, só existe um Deus) e trino (porque está pessoalizado em três pessoas: o Pai, o Filho e o Espírito Santo, que se estabelecem entre si uma comunhão perfeita). Estas 3 Pessoas eternas, apesar de possuirem a mesma natureza, "são realmente distintas" [21].
Logo, muitas vezes, certas actividades e atributos divinos são mais reconhecidas (mas não exclusivamente realizadas) em uma Pessoa do que em outra. Como por exemplo, a criação divina do mundo está mais associado a Deus Pai; a salvação do mundo a Jesus, o Filho de Deus; e a protecção, guia, purificação e santificação da Igreja ao Espírito Santo [21].